segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

A VACA E O BREJO.

A VACA E O BREJO.
Domingo, 4 e meia da tarde, ligo a TV. Ela está no canal 44.1 do modo TV aberta, de um programa que vi na 5ª feira. Quero ir ao canal 5.1, pra ver Palmeiras e Flamengo, mas tenho preguiça de teclar cinco ponto um. Opto por pressionar a extremidade “—“, da tecla CH. Assim, após mais de vinte pressões na “menos”, chego ao canal desejado. Na primeira alternativa, eu chegaria lá com apenas três pressões, mas teria de direcionar o dígito três vezes para três diferentes teclas, uma operação muito complexa…

Entre pensar e suar, escolho suar. Poupar fosfato.

Mas tudo tem seu lado bom. Zapeando entre os canais 44.1 e o 5.1, vou vendo o que passa nos canais intermediários. O pastor RR Soares simpaticíssimo; o pastor Valdomiro Santiago de chapéu; o padre Reginaldo; o Silas Malafaia; opa! Um canal vendendo semijóias; o bispo Edir Macedo empresário; o pastor Jorge; opa! Uma mulher, uma bispa, a Sônia! Depois o padre Marcelo praticando base jump.

De repente, uma mocinha bonita e séria entrevista um senhor feio, mas médico, está até de jaleco. Falam sobre o sono, a qualidade do sono, que a boa qualidade do sono é fundamental na vida das pessoas, que o sono não serve apenas para descansar o corpo, mas também e principalmente, para recuperar e manter as funções da memória e do raciocínio…

Paro. Acho interessante, educativo, edificante… Fico vendo e concordando. Uma pergunta da mocinha entrevistadora me cutuca, mas continuo inerte: “Qual a importância do colchão, na qualidade do sono?”.

O médico feio e velho (Todo feio e velho é sábio...) responde no seu tom monocórdio que o colchão precisa ser confortável, não forçar a coluna, etc, etc. Então a suposta jornalista pergunta mais uma vez: “Quer dizer que podemos considerar o colchão como o item mais importante para a qualidade do sono?”, à que responde o médico, em seu tom imparcial, severo, acadêmico, amarelo, prolixo: “Sim”.

Em seguida, aparece na tela a propaganda da marca do colchão. Não, não é um comercial. Só o trecho que assisto dá mais de 5 minutos. É um programa de entrevistas.

Teclo mais algumas vezes, vejo padres cantando, pastores curando, não vejo o Sílvio porque o canal dele fica fora do intervalo em que navego, não vejo o Faustão porque antes tem futebol, nem o Huck nem o Ratinho nem o Datena nem o Fantástico porque não está no horário deles,

não vejo o Gugu porque já morreu, não vejo o padre Donizetti porque virou beato, não vejo o Chico Xavier porque já desencarnou, não vejo um rabino porque não tenho sangue nem cacife para entrar na sinagoga, não vejo nenhum monge budista, nenhum aiatolá, nenhum babalaô porque ainda não escolheram a gente pra pastorear.

Finalmente, chego ao meu destino: o futebol. Agora sim! Tem pra todo mundo. Tem sub-20, sub-15, sub-17. Tem série A, série C, série B. Tem Libertadores e Sulamericana. Tem Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. Tem campeonato Inglês, Francês, Espanhol, Italiano. Tem até futebol chinês.

Tem futebol alemão!

Tem copa do mundo de futebol de praia. Tem copa do mundo de futevolei. Tem campeão brasileiro de futebol de salão e de futebol-7. E das Américas e da Europa e já tá tendo da Ásia e os petrodólares estão chegando com tudo, é Emirades e Qatar pra todo lado(já chegaram à Argentina), e logo começa o Campeonato Paulista!

Antes tem a copinha. Nas férias, tem futebol com os amigos do Neymar.

Que bom que é ter diversidade, opções, né não?


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