SEMÁFORO.
No
tempo das cavernas, não havia casa nem governo;
não
havia pedreiro nem político;
não
havia estrada nem cidade,
nem
construtora nem prefeitura.
No
tempo das cavernas, matava-se com pedra,
não
havia ferro nem fábrica,
não
havia ferreiro nem patrão.
No
tempo das cavernas, não havia roça, só colheita;
não
havia produto, só consumo,
mas
sem dinheiro e sem mercadoria.
No
tempo das cavernas, não havia luz, nem represa, nem carvão,
nem
eletricista, nem metalúrgica;
não
havia sociedade, nem sindicato;
não
havia médico, só Deus,
não
havia tratamento, só cura.
No
tempo das cavernas, talvez já houvesse carinho e amor e
solidariedade,
mas
certamente havia conjunção
e
não havia atraso, porque havia tempo,
e
não havia caso pois havia muito campo.
No
tempo das cavernas, não havia cimento, nem mutirão,
nem
rebanho, mas gado;
não
havia laços, só mãos,
mas
havia apertos, apesar dos espaços.
No
tempo das cavernas havia pouco verbo e nenhum plural,
mas
muito trovão;
não
havia semáforos;
no
tempo dos simplórios, não havia perdão.
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