sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

(O PEDREIRO E O POLÍTICO)

SEMÁFORO.
No tempo das cavernas, não havia casa nem governo;
não havia pedreiro nem político;
não havia estrada nem cidade,
nem construtora nem prefeitura.

No tempo das cavernas, matava-se com pedra,
não havia ferro nem fábrica,
não havia ferreiro nem patrão.

No tempo das cavernas, não havia roça, só colheita;
não havia produto, só consumo,
mas sem dinheiro e sem mercadoria.

No tempo das cavernas, não havia luz, nem represa, nem carvão,
nem eletricista, nem metalúrgica;
não havia sociedade, nem sindicato;
não havia médico, só Deus,
não havia tratamento, só cura.

No tempo das cavernas, talvez já houvesse carinho e amor e solidariedade,
mas certamente havia conjunção
e não havia atraso, porque havia tempo,
e não havia caso pois havia muito campo.

No tempo das cavernas, não havia cimento, nem mutirão,
nem rebanho, mas gado;
não havia laços, só mãos,
mas havia apertos, apesar dos espaços.

No tempo das cavernas havia pouco verbo e nenhum plural,
mas muito trovão;
não havia semáforos;
no tempo dos simplórios, não havia perdão.



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