quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

ORA, BATATAS!

Batatas fritas. Batatas do Méqui 1000. Se alguém souber, que me informe, que estória é essa de Méqui? 1000 eu sei, é a milésima loja no Brasil. E Méqui? Tudo bem, Méqui de Mc. Quero saber a estória desse aportuguesamento. Houve algum protesto? Alguma conveniência? Algum regulamento? Alguma isenção? Alguma trapaça? Algum publicitário?
Porque não é normal uma multinacional tão cabal se entregar assim, de graça. Se apossaram da casa do Banco Itaú. Aquela dos enfeites natalinos. A casa branca. Um dos poucos casarões restantes na Paulista.
(sou velho, presenciei a noite das demolições, anos 1970. Ali na esquina da Teixeira da Silva, onde hoje funciona a Coopersucar, num prédião modernoso, amanheceu pichado no muro que guardava os escombros mal arrumados “da força da grana que ergue e destrói coisas belas”. Li, com meus próprios olhos).
O Méqui Donaldes ocupou a casa da Al. Min. Rocha Azevedo, adeus bolas e festões e lampadinhas e virgem Maria e São José e menino Jesus e jumentinhos… adeus Gaspar, Baltasar, Belchior, agora temos batatas. Nunca mais a estrela-guia. Os burrinhos do presépio viraram bastões quadrados de batata. Jesus, Maria e José viraram bastões quadrados de batata. As bolas da árvore viraram bastões quadrados de batata. Todos fritos. Estamos fritos.
Batatas fritas gigantes transbordam pelas janelas. O Méqui 1000 anuncia a boa-nova oleaginosa, o novo reino do lipídeo saturado. Junto à calçada, as sobremesas, o principado do sorvete instantâneo, do carbohidrato barato.
Os jumentinhos abestados fazem selfie e lambem os beiços. Pequenos empresários levam o lanche até sua casa, se você pedir. Os jumentinhos quadradinhos e amarelinhos amam muito tudo aquilo.

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