PANELA VELHA
Ia eu e meu
parceiro pela crista da Mantiqueira, em lugar ermo e retirado em tempo e
distância e altitude, desses que exigem autonomia total de fogo, comida e abrigo.
É, arrumei
um parceiro bão para essas travessias maneiras, desses que somam, multiplicam e
acrescentam.
Era o
segundo dia da escalaminhada e levávamos cerca de 17Kg de sobrepeso cada um. Deveríamos
chegar às margens do Rio Claro na hora do almoço. O rio nasce uns 500 metros
acima, na encosta da Pedra da Mina, montanha mais alta num raio de 500 Km, e escorre em direção ao vale do Paraíba.
Botijão,
fogareiro, panela e macarrão e sopa de cozimento rápido, ali seria nosso
almoço, na espaçosa clareira em meio ao capinzal, às margens do riacho de águas
límpidas e geladas.
Só que nossa
panela era pequena, cozinhávamos em duas rodadas. Mas ali, sobre uma pedra,
havia uma panela grande de pouco mais de dois litros, com uma pedra dentro para
não voar durante os fortes ventos que acometem o pedaço de vez em sempre. Uma
panela velha de alumínio, sem cabo.
Cozinhar de
uma só vez os nossos dois pacotes, por que não?
E foi o que
fizemos.
Você
cozinharia sua comida numa panela velha encontrada à beira do caminho?
Sim ou não?
Fui pensando
na nossa opção, enquanto restituía a panela comum devidamente limpa ao local
onde a encontramos e retomava a escalaminhada em direção ao topo da montanha,
aonde chegamos uma hora depois.
Acho que é
preciso alguma fé na humanidade para escolher o sim. Porque quem desconfia de
uma pública e mineral e velha panela abandonada à beira do caminho é um incréu.
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