sexta-feira, 28 de abril de 2017

GREVE EM MACAPÁ.

     Alguém gritou a expressão GREVE GERAL em Macapá. Minha gente, tem gente fazendo greve geral em Macapá! Uma dona de casa ligou a TV mais cedo, em Macapá, para saber da greve geral. Um funileiro com sua oficina de fundo de quintal num subúrbio de Macapá ficou preocupado com a greve geral. Um barbeiro de Macapá não fala de outro assunto que não seja greve geral enquanto barbeia seus fregueses. Um sapateiro de Macapá martela o próprio dedo, distraído com o radialista que vocifera contra a greve geral. O desembargador de Macapá tenta isolar do pensamento a expressão greve geral. O policial de Macapá deixa tudo e vai acudir a greve geral. O prefeito de Macapá diz que a greve geral é política. O tribunal de Macapá decreta a greve geral ilegal e parcial e banal. A vendedora de rapadura de Macapá faz uma geleia real para vender durante a greve geral. O taxista de Macapá exulta com a greve geral. A madame de Macapá diz que  a greve geral deveria ser num domingo. O dono da quitanda de Macapá vocifera contra esses vagabundos que estão fazendo a greve geral. O sub-prefeito de Macapá obriga os faxineiros a dormir no local de trabalho para furarem a greve geral. O porteiro do edifício de Macapá não para de ver a greve geral passar na rua. A faxineira do oitavo andar de Macapá se sufoca com a fumaça dos pneus queimados por causa da greve geral. O motorista de macapá tem um piripaque por causa da greve geral. O banqueiro do jogo do bicho de Macapá estoura a boca do balão pensando na greve geral. O vovô de Macapá brinca de greve geral com o neto. O velho caduco de Macapá repete mecanicamente a expressão greve geral que ouviu do cachorro. O pequeno empresário de Macapá baba contra a greve geral. A beata de Macapá faz o creoendeuspai três vezes numa velocidade estupenda para se livrar da greve geral que não lhe sai da cabeça. O governador de Macapá trabalha contra a greve geral. O economista de Macapá é contra a greve geral. O analista político de Macapá diz que a greve geral não leva a nada. O farmacêutico de Macapá reclama que ninguém compra seus remédios em dia de greve geral. O fazendeiro, lá no grotão de Macapá, ouve e  pensa e analisa e é contra a greve geral. O aposentado de Macapá diz que esse povo da greve geral é tudo vagabundo. Incontornável em Macapá é o fato de que sua dona de casa, lá do final da rua da última quebrada, largou de pensar e agora fala em greve geral. Não entendo direito se contra ou a favor, mas a dona de casa de Macapá, aquela da última casa da última rua da última periferia, extrapolou o próprio lar e danou-se a conversar sobre greve geral com a vizinha.

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