segunda-feira, 22 de maio de 2017

DE CRAQUES E MARIDOS.

DE CRAQUES E MARIDOS. Marketeiros recomendam que todo craque encerre a carreira enquanto ainda joga bem, para imortalizar a bela imagem de grande jogador. Pelé deixou os gramados no auge da carreira, reclamaram fãs na época, década de 1970. Era e é assessorado por marketeiros, nunca mais jogou em público, nem por brincadeira(a preservação do mito). Tostão aproveitou que levou uma bolada na cara e também encerrou a carreira logo após ter sido campeão no México, em 1970. Foi cursar Medicina, desapareceu, mas eis que retornou muitos anos depois para viver do futebol, como comentarista. Gerson, o canhota de ouro do Botafogo, deixou de jogar para levar vantagem no comércio e desapareceu, não por causa do futebol, mas por causa do comércio. Félix, o goleiro, deixou os gramados para cuidar da granja avícola amealhada durante a carreira, não era ídolo e continuou não sendo, mas ao menos é bem lembrado. É uma prerrogativa de todo craque parar de jogar enquanto está com o prestígio em alta e, a julgar pela experiência, é recomendável que o faça. Temos exemplos de craques insistentes que acabam se desmoralizando em campo, como foi o caso de Garrincha e Túlio Maravilha, que jogou até em time de festa de aniversário em busca de um suposto milésimo gol que só ele computou. Outro que insiste é Rogério Ceni... Há os excepcionais, como Sócrates, que brilhou antes, durante e após sua carreira futebolística: já era médico, foi corintiano, depois democrata. Há os que decepcionam na vida, mas preservam a arte. É o caso de Ademir da Guia, craque impecável e tímido no campo e vereador medíocre. Marcos quase põe tudo a perder, num time de tendências secundárias. Mas, no geral, os craques seguem a recomendação e saem de cena enquanto os holofotes ainda estão ligados. Ao contrário dos maridos. Nunca abandonam os gramados enquanto são queridos pelo público. Estão fadados ao ostracismo e à desmoralização de jogar sob os apupos da torcida. Uns porque não querem, outros porque não podem, vários porque não sabem e alguns porque temem a reprovação geral da plateia. Mas o ideal seria que os maridos abandonassem os gramados enquanto fossem capazes de satisfazer plenamente a fome de gols dos torcedores. Não tenho nada contra as esposas, só não sou uma delas. Sendo que aqui em casa, é a esposa que é fanática por futebol. Além do mais, elas que escrevam suas crônicas.

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