segunda-feira, 22 de maio de 2017
NO TEMPLO DA CIÊNCIA.
NO TEMPLO DA CIÊNCIA. Estava eu no Hospital Santa Catarina, para uma ressonância magnética do joelho, que parece que o referido já está vencido ou não aguentou 20 anos de correria, feito na China, de material de segunda, mão de obra barata... Não aguentou o compressor que tenho no peito... Enfim, atrás do sportello me atendia uma mocinha e, enquanto isso, eu podia ler num panfleto estrategicamente colocado no balcão a oração do pai eterno. Havia uma ruma de panfletos e eu orava, ou melhor, lia, meio que sem querer, e ficava sabendo que o pai eterno existia, era bom, poderoso, e, dependendo da minha boa vontade, poderia me conceder grandes graças, não entrei em detalhes, não sei se a mocinha poderia me esclarecer se em eu rezando e querendo e imprimindo e distribuindo 5 mil panfletos similares o meu joelho esquerdo voltaria em ponto de bala e aos tempos de glória de escalaminhadas e ultramaratonas. Porque eram 6h20 da madrugada e eu há duas horas que não comia, preferi manter o silêncio e investir tudo na geringonça que tem o formato daquelas máquinas de desenho animado de cientistas malucos e faz barulhos semelhantes aos de uma tropa de muares numa invernada povoada por seriemas que é o tal equipamento mui importado e mui caro da tal ressonância magnética. Realizado o exame, ia saindo e eis uma florada de freiras, acho que o coletivo de freiras é florada, todas impecáveis em seus hábitos, só aparecendo as mãozinhas e os olhinhos, olhinhos diligentes e brilhantes. Então me lembrei das muçulmanas de Milão, bandos de mulheres muçulmanas pelas ruas de Milão, às compras, ciceroneadas e protegidas por seus homens, ao lado de filhas, segurando crianças no colo, mulheres comuns, leigas, procriadoras, que toda noite dormem com um homem mas, durante o dia e em público, somente os olhinhos e as mãozinhas de fora e os olhinhos... bem aí vi olhinhos de todo tipo, mortos, apagados, frios, vivos, acesos, quentes... sendo que em se tratando de avaliação de olhos de freiras e muçulmanas, meu veredito é 100% fruto da minha fértil imaginação. Mas, cá entre nós. Não é contraditório um templo da medicina sendo administrado por uma ordem religiosa?
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