Bom,
se o dia das mães foi instituído, no Brasil, pelo pai do nosso
atual governador ou pelo Getúlio Vargas, não interessa. O que
interessa é que, para o meu pai, todo dia era dia da mãe. E, para
mim, todo dia era dia da minha mãe, até os 11 anos de idade, quando
fui estudar na cidade. A partir de então, fiquei sabendo que estava
errado. Havia um e único dia por ano que era da mãe. Os demais 364
dias eram… eram… sei lá, do pai, do avô, do tio, do bispo, do
raiosqueoparta masculino.
Ainda
que tenha sido instituído mais tarde, pelo Dória-pai, na década de
1940, meu pai não ficou sabendo não. Meu pai não integrava o mundo
comercial então nascente. Meu pai não fazia parte do público-alvo,
como se diria mais tarde. Mas, para meu pai, todo dia era dia da mãe
porque, creio, meu pai viu sua mãe em todos os dias da sua vida,
enquanto ela viveu. Viu com os próprios olhos, nunca viveu longe
dela mais do que 500 metros.
Já
minha mãe perdeu sua mãe quando casou. Perdeu a mãe e ganhou uma
sogra. Até hoje eu e ela, minha mãe, temos dúvidas se foi uma boa
troca. De todo modo, ambas eram mães, enquanto minha mãe era
futura-mãe.
Eu,
até o quarto ano primário, estudava numa escola em que os sistemas
de portaria, monitoria, inspetoria, diretoria, faxinaria, zeladoria,
ninharia e ensinadoria eram exercidos por uma única mulher, a Dona Rosa, que não
tinha tempo de ensinar aos alunos sobre o dia das mães, talvez
porque fosse mãe de um filho excepcional da minha idade que lhe
requeria trabalhos extras. Ou também porque seus alunos
ainda não haviam entrado para o público-alvo do comércio.
Quando
eu nasci, já haviam instituído o dia do natalício de Jesus. Em
seguida, mas também antes do meu nascimento, instituíram o dia das
mães, depois veio o dos namorados. Em 1964, restaurou-se ou
consolidou-se a ideia de substituir a era (não o dia) do cidadão
pela do consumidor. Enfim, fazer o quê? Mas, o meu dia, eu não
consinto que ninguém institua.
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