domingo, 10 de maio de 2020

DIA DAS MÃES.

Bom, se o dia das mães foi instituído, no Brasil, pelo pai do nosso atual governador ou pelo Getúlio Vargas, não interessa. O que interessa é que, para o meu pai, todo dia era dia da mãe. E, para mim, todo dia era dia da minha mãe, até os 11 anos de idade, quando fui estudar na cidade. A partir de então, fiquei sabendo que estava errado. Havia um e único dia por ano que era da mãe. Os demais 364 dias eram… eram… sei lá, do pai, do avô, do tio, do bispo, do raiosqueoparta masculino.
Ainda que tenha sido instituído mais tarde, pelo Dória-pai, na década de 1940, meu pai não ficou sabendo não. Meu pai não integrava o mundo comercial então nascente. Meu pai não fazia parte do público-alvo, como se diria mais tarde. Mas, para meu pai, todo dia era dia da mãe porque, creio, meu pai viu sua mãe em todos os dias da sua vida, enquanto ela viveu. Viu com os próprios olhos, nunca viveu longe dela mais do que 500 metros.
Já minha mãe perdeu sua mãe quando casou. Perdeu a mãe e ganhou uma sogra. Até hoje eu e ela, minha mãe, temos dúvidas se foi uma boa troca. De todo modo, ambas eram mães, enquanto minha mãe era futura-mãe.
Eu, até o quarto ano primário, estudava numa escola em que os sistemas de portaria, monitoria, inspetoria, diretoria, faxinaria, zeladoria, ninharia e ensinadoria eram exercidos por uma única mulher, a Dona Rosa, que não tinha tempo de ensinar aos alunos sobre o dia das mães, talvez porque fosse mãe de um filho excepcional da minha idade que lhe requeria trabalhos extras. Ou também porque seus alunos ainda não haviam entrado para o público-alvo do comércio.
Quando eu nasci, já haviam instituído o dia do natalício de Jesus. Em seguida, mas também antes do meu nascimento, instituíram o dia das mães, depois veio o dos namorados. Em 1964, restaurou-se ou consolidou-se a ideia de substituir a era (não o dia) do cidadão pela do consumidor. Enfim, fazer o quê? Mas, o meu dia, eu não consinto que ninguém institua.

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