quinta-feira, 21 de maio de 2020

POBRE, MAS DIREITO.

POBRE DE DIREITA (DE NOVO!). É que ontem, ao postar no feicibuque o hino Bandiera Rossa, do PC Italiano, me referi outra vez ao Pobre de Direita. E toda vez que faço isso, fico matutando, insatisfeito, me sentindo culpado. Porque assim, curto, seco, na lata, sem explicação, vira provocação barata.

Na boa: não acredito em Pobre de Direita. Não, não estou dizendo que PD seja mentiroso. Tô dizendo que PD não existe. PD é um rótulo elitista nosso. O que existe é o PD, o Pobre Diabo, um sujeito em desvantagem material ou intelectual ou as duas coisas. Alguém isolado, desinformado, equivocado, explorado, rancoroso. E Manipulado. Não é difícil distrair uma mente alienada. Vi escrito não sei onde, “sua tia não é fascista, é manipulada”.

Claro que todo PD é passível de se transformar num pequeno sacana vendido. A humilhação que esse pobre coitado sofre cotidianamente é tão grande, que ele venderia a própria mãe, para mudar a vida, se tivesse oportunidade. Mas, como é normal numa sociedade muito desigual, poucos têm essa oportunidade.

A grande maioria, nosotros, se vende aos pedacinhos, às migalhas, no varejo, de janeiro a janeiro, com ou sem eleição, de segunda a sábado, das 9 às 17h. A indispensável esperança, vai buscar no Além, na igreja. E assim, já salvo e cansado e enfastiado e desinteressado, relega o desprezo ao concreto, ao coletivo, à coisa pública e terrena: à Política.

Mas sempre sobra alguém mais disposto, mais afoito, mais desavisado. Que se dá, que se entrega. De graça. É o nosso PD. Adota um líder ou um lado graciosamente, por impulso, na emoção da hora, como se dá com nossas simpatias por um time de futebol, por ódios familiares ou pessoais, antagonismos corriqueiros, contrariedades momentâneas, sem qualquer racionalidade, esquecido de toda lógica.

A escolha inicial acontece por oportunismo ou para negar algo novo que lhe assusta ou para desaforar alguém próximo ou para sublimar o desespero ou para sufocar a revolta. A partir de então, identifica e adota, com impressionante clareza, o lado oposto ao daquele que originou o ódio lá atrás, no começo da carreira. Sendo redundante, entra num processo reacionário de negação.

O fogo brando do rancor forja a pessoa insensata. E quando esse caminho coincide com o indicado pelo padre ou pastor que lhe supre de esperança ou pelo guru virtual que lhe mostra a capa vermelha do toureiro da autoajuda, o pobre se transforma num fanático. O PD não existe, portanto. O que existe é o Pobre Coitado. Que, de tão espoliado, perde o rumo. Vira um PSN. Pobre Sem Noção.





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