POBRE
DE DIREITA (DE NOVO!). É que ontem, ao postar no feicibuque o hino Bandiera
Rossa, do PC Italiano, me referi outra vez ao Pobre de Direita. E
toda vez que faço isso, fico matutando, insatisfeito, me sentindo
culpado. Porque assim, curto, seco, na lata, sem explicação, vira
provocação barata.
Na
boa: não acredito em Pobre de Direita. Não, não estou dizendo que
PD seja mentiroso. Tô dizendo que PD não existe. PD é um rótulo
elitista nosso. O que existe é o PD, o Pobre Diabo, um sujeito em
desvantagem material ou intelectual ou as duas coisas. Alguém
isolado, desinformado, equivocado, explorado, rancoroso. E
Manipulado. Não é difícil distrair uma mente alienada. Vi escrito
não sei onde, “sua tia não é fascista, é manipulada”.
Claro
que todo PD é passível de se transformar num pequeno sacana
vendido. A humilhação que esse pobre coitado sofre cotidianamente é
tão grande, que ele venderia a própria mãe, para mudar a vida, se
tivesse oportunidade. Mas, como é normal numa sociedade muito
desigual, poucos têm essa oportunidade.
A
grande maioria, nosotros, se vende aos pedacinhos, às migalhas, no
varejo, de janeiro a janeiro, com ou sem eleição, de segunda a
sábado, das 9 às 17h. A indispensável esperança, vai buscar no
Além, na igreja. E assim, já salvo e cansado e enfastiado e
desinteressado, relega o desprezo ao concreto, ao coletivo, à coisa
pública e terrena: à Política.
Mas
sempre sobra alguém mais disposto, mais afoito, mais desavisado. Que
se dá, que se entrega. De graça. É o nosso PD. Adota um líder ou
um lado graciosamente, por impulso, na emoção da hora, como se dá
com nossas simpatias por um time de futebol, por ódios familiares ou
pessoais, antagonismos corriqueiros, contrariedades momentâneas, sem
qualquer racionalidade, esquecido de toda lógica.
A
escolha inicial acontece por oportunismo ou para negar algo novo que
lhe assusta ou para desaforar alguém próximo ou para sublimar o
desespero ou para sufocar a revolta. A partir de então, identifica e
adota, com impressionante clareza, o lado oposto ao daquele que
originou o ódio lá atrás, no começo da carreira. Sendo
redundante, entra num processo reacionário de negação.
O
fogo brando do rancor forja a pessoa insensata. E quando esse caminho
coincide com o indicado pelo padre ou pastor que lhe supre de
esperança ou pelo guru virtual que lhe mostra a capa vermelha do
toureiro da autoajuda, o pobre se transforma num fanático. O PD não
existe, portanto. O que existe é o Pobre Coitado. Que, de tão
espoliado, perde o rumo. Vira um PSN. Pobre Sem Noção.
Nenhum comentário:
Postar um comentário