Encontrei
esses versinhos num papel amassado no chão do fim da feira, escritos
a lápis em caligrafia tosca e ortografia barroca e redondilhas
menores. São, portanto, até segunda ordem, de domínio público. E,
pelo que se vê, é coisa aberta, sempre cabe mais um versinho, uma
estrofezinha, que você pode acrescentar. Não é coisa nova, isso de
acrescentar versinhos em modinhas que estão na boca do povo. Paulo
Vanzolini fez isso, que eu sei, na Moda da Pinga, popularizada pela
Inezita Barroso, e em Cuitelinho, que eu recomendo, no dueto de Pena
Branca e Xavantinho. Esses versinhos, já li batucando, ao som de um
imaginário violãozinho básico, ou talvez um pandeiro, sou meio
surdo, e a fila de ônibus roncando na subida da Brigadeiro não
ajudava: (a última estrofe é minha).
Nem
sei como pode
nem
sei como existe
tanta
gente pobre
tanta
gente triste.
Tanto
automóvel
tanta
patinete
tanto
ignóbil
que
não vale o frete.
Nem
sei como ocorre
nem
sei como ouviste
mata
come ou corre
perde
ou persiste.
Sala
pra cozinha
arruma
a antena
vida
mais sozinha
nessa
quarentena.
Vida
que sucede
vida
que insiste
vida
que se impede
mas
que não desiste.
Coisa
passageira
coisa
barulhenta
uma
vida inteira
tem
gente que aguenta.
Se
vira nos trinta
cai
levanta tenta
cai
levanta e finta
essa
zaga lenta.
Pede
pra sair
que
perdeu a graça
não
deixa cair
que
isso logo passa.
Nem
que a vaca tussa
e
o tatu aguente
a
coisa tá russa
a
chapa tá quente.
Eu
daqui não saio
eu
aqui insisto
corro
sento caio
puro
sujo ou misto.
Toda
essa leseira
esse
fim de feira
não
tem cabimento
esse
virulento.
Esse
oportunista
esse
populista
esse
violento
não
tem cabimento.
Cadê
sua máscara
use
sua máscara
guarde
sua máscara
lave
sua máscara.
Vai
cair a máscara
já
caiu a máscara
que
o povo comprou
no
verão passado.
Párarárarára
párarárarára
párarárarára
párarárarára!
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