quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

CONVERSA SOBRE IDIOTAS.

— Qui que cê acha, a quantidade de idiotas tem aumentado no mundo?
— Se a população tem aumentado, a quantidade de idiotas também aumenta...
— Proporcionalmente,  quero dizer...
— Dos idiotas ou dos estúpidos?
— Acho que o meu 'idiota' aqui é sinônimo de 'estúpido'. Porque 'idiota' tem várias nuances, pode ser até doença...
— Sei... você se refere a essas pessoas normais, que vivem metendo o pé na jaca...
— Isso! Isso!
— Estúpidos!
— E então? Tem aumentado a quantidade de estúpidos em relação ao total de habitantes?
— Acho que não. Sempre houve uma quantidade enorme de estúpidos.
— Mas você não tem a sensação de que aumentou, e muito?
— Tenho. Mas minha sensação é estúpida (risos). O que acontece é que agora os idiotas estão mais legíveis...
— Sei, lá vem você com as tais de redes sociais, a comunicação on line direto de cada casa, a facilidade de publicar o pensamento direto do recesso do lar...
— Claro! O cara está em casa e ali é rei. Fica desarmado com essa falsa sensação de poder, sem nenhum contraditório, e, muitas vezes, mamado...
— Mamado?!
— Drogado... É como um motorista bêbado ao volante; e sua indigência cultural impede que ele perceba o estrago que esse bólido virtual provoca. É um sujeito isolado e não esclarecido. E ainda tem seu subconsciente pré-internético...  Escreve como um náufrago que prepara uma mensagem para pôr dentro de uma garrafa a ser lançada no mar.
— Gostei dessa! Minhas mensagens virtuais não diferem muito daquelas das garrafas, em termos de retorno(risos).
— Aí está um motivo adicional para atiçar a manifestação em massa dos estúpidos.
— O quê?
— Apelar, postar idiotices, para que a garrafa seja encontrada, a rolha retirada, a mensagem lida... fazer sucesso.
— Algumas até são engraçadas...
— E outras são muito sem graça. Alguém que usa um vocabulário castiço, como se estivesse escrevendo ao imperador, uma garrafa lançada cem anos atras...
— Um textão de dois mil caracteres...
— Sem nenhum GIF ilustrativo, nenhuma foto...
— Tem certeza de que a quantidade de idiotas não aumentou?
— Não tenho certeza de nada. Só acho e penso e acredito. —  Não estou bem certo nem quanto a nós dois...
— Essa incerteza tem a ver com a estupidez relativa. O cara só trata de assuntos de que não gosto ou tem opiniões diferentes das minhas, então já tasco um 'idiota' nele. O choque entre os mundos paralelos que se encontram...
— O pobre de direita...
— Não existe pobre de direita, o que há é pobre que vota na Direita.
— E então?!
— Não é idiota, é impossível que haja tantos idiotas. Imagina uma criança manipulando uma arma, é grande a probabilidade dela dar um tiro no próprio pé.
— Quer dizer que o 'pobre de direita' é apenas um imaturo?
— Um pouco mais... um desinformado... uma vítima.
— Você vota no Lula e ele no Bolsonaro...
— Não, nesse caso, é estupidez absoluta(risos).
— Boa! Existe estupidez absoluta? Um assunto ou uma opinião ou uma atitude cuja estupidez independe de referencial?
— Boa pergunta. Porque o cara pode ser inteligente falando de futebol, religião e até de astrologia...
— Já tem uns assuntos que são neutros, pouco perigosos, como esses posts que falam de como cozinhar, como arrumar a casa, o jardim...
— Pois é. Aí o risco é de ser chato. Mas tem uns caras que conseguem ser idiotas até quando passam a receita de um pudim.
— Você é o primeiro cara com quem converso cujas empatia e tolerância diminuem com o transcorrer das cervejas...

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