Tanto lugar pra cagar na Paulista e onde é que o povo escolhe!? No canteiro central. Na ciclovia! A ciclovia virou cagadô coletivo. Não gente!, onde se lê cagar, leia-se posar. É! Deve haver algum motivo técnico, não sou fotógrafo. Pela ciclovia em si é que não é, muito menos pelas bicicletas.
Isso acontece na avenida inteira, mas nas imediações do Museu
de Arte de São Paulo é tanto que o fedor exala alhures... O sujeito coletivo
escolheu aquele pedaço de ciclovia que fica entre o MASP e o TRIANON como
cagadô. Quer dizer, como ponto preferencial para posar.
É sempre assim, onde animais costumam se juntar e permanecer,
logo escolhem um ponto para... posar. Vejam as galinhas, posam sempre no mesmo
ponto do terreiro. Os porcos, os gatos. Os cachorros..., não, os cachorros
tiram fotos quando e onde seus donos deixarem.
Mas, que tipo de fotos se tira lá no canteiro central da Paulista?
São fotos da própria pessoa. Ela quer registrar sua imagem tendo como fundo a
integralidade da avenida, os dois lados. Então, fica pra lá e pra cá na
ciclovia, em busca do melhor ângulo.
Circunstancialmente, naquela faixa vermelha vêm e vão
bicicletas. Mas claro que a tal faixa foi construída para, em primeiro lugar, servir
de palco ao cidadão que deseja cagar a própria imagem, com os dois lados da
Paulista ao fundo.
Acontece que não são selfies. São fotos posadas. Ali o
cabra ou a cabra não deixa por menos: leva um fotógrafo. Às vezes, o fotógrafo
leva um assistente. Nesse caso, quase sempre leva também um tripé. Um tripé não
caga, mas atrapalha mais do que um humano.
Tem gente que leva iluminador e outros badulaques de
fotografia que não sei o nome. Tem humana que leva apetrechos de maquiagem e os
usa em plena ciclovia. Já vi um caso em que a humana levou um espelho de corpo
inteiro, a moldura apoiada no chão, sabe como é?
A maioria posa para um simples parceiro, alguém que está
junto, registro de smartphone. Costumo prestar atenção nas poses desses simples
mortais. Não há ninguém dirigindo, a sujeita ou o sujeito exprime ali o que vai
pela cabeça de milhões, tenho interesses antropológicos.
Noto que o modo de posar evoluiu muito em nossa cultura. Vai
muito além de flexionar uma das pernas, com a ponta do pezinho apoiada no chão.
Sentar com as pernas cruzadas não cabe ali, mas antevejo o dia em que alguém
vai levar uma cadeira para tal mister.
E as caras e bocas (e dentes!) que já presenciei! E línguas!
Só a pontinha da língua. Tem uma moda agora de ficar com o corpo de frente e o
rosto de perfil. Qualquer dia alguém destronca o pescoço na ciclovia da
Paulista!
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