segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

POSE NA PAULISTA

Tanto lugar pra cagar na Paulista e onde é que o povo escolhe!? No canteiro central. Na ciclovia! A ciclovia virou cagadô coletivo. Não gente!, onde se lê cagar, leia-se posar. É! Deve haver algum motivo técnico, não sou fotógrafo. Pela ciclovia em si é que não é, muito menos pelas bicicletas.

Isso acontece na avenida inteira, mas nas imediações do Museu de Arte de São Paulo é tanto que o fedor exala alhures... O sujeito coletivo escolheu aquele pedaço de ciclovia que fica entre o MASP e o TRIANON como cagadô. Quer dizer, como ponto preferencial para posar.

É sempre assim, onde animais costumam se juntar e permanecer, logo escolhem um ponto para... posar. Vejam as galinhas, posam sempre no mesmo ponto do terreiro. Os porcos, os gatos. Os cachorros..., não, os cachorros tiram fotos quando e onde seus donos deixarem.  

Mas, que tipo de fotos se tira lá no canteiro central da Paulista? São fotos da própria pessoa. Ela quer registrar sua imagem tendo como fundo a integralidade da avenida, os dois lados. Então, fica pra lá e pra cá na ciclovia, em busca do melhor ângulo.

Circunstancialmente, naquela faixa vermelha vêm e vão bicicletas. Mas claro que a tal faixa foi construída para, em primeiro lugar, servir de palco ao cidadão que deseja cagar a própria imagem, com os dois lados da Paulista ao fundo.

Acontece que não são selfies. São fotos posadas. Ali o cabra ou a cabra não deixa por menos: leva um fotógrafo. Às vezes, o fotógrafo leva um assistente. Nesse caso, quase sempre leva também um tripé. Um tripé não caga, mas atrapalha mais do que um humano.

Tem gente que leva iluminador e outros badulaques de fotografia que não sei o nome. Tem humana que leva apetrechos de maquiagem e os usa em plena ciclovia. Já vi um caso em que a humana levou um espelho de corpo inteiro, a moldura apoiada no chão, sabe como é?

A maioria posa para um simples parceiro, alguém que está junto, registro de smartphone. Costumo prestar atenção nas poses desses simples mortais. Não há ninguém dirigindo, a sujeita ou o sujeito exprime ali o que vai pela cabeça de milhões, tenho interesses antropológicos.

Noto que o modo de posar evoluiu muito em nossa cultura. Vai muito além de flexionar uma das pernas, com a ponta do pezinho apoiada no chão. Sentar com as pernas cruzadas não cabe ali, mas antevejo o dia em que alguém vai levar uma cadeira para tal mister.

E as caras e bocas (e dentes!) que já presenciei! E línguas! Só a pontinha da língua. Tem uma moda agora de ficar com o corpo de frente e o rosto de perfil. Qualquer dia alguém destronca o pescoço na ciclovia da Paulista!

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