“UM HOMEM NÃO TE DEFINE/
SUA CASA NÃO TE DEFINE/ SUA
CARNE NÃO TE DEFINE/ (VOCÊ É SEU PRÓPRIO
LAR)”
Triste, Louca ou Má. Juliana Strassacapa, do Francisco, el
Hombre, é branca, mas se fosse preta, teria alma branca. Patriarcalismo, racismo,
o Borba Gato, e um terceiro tema ao final.
Atualmente dá cadeia dizer que um preto bom tem alma
branca. Mas claro! Onde já se viu!? Todo mundo vê e sente a violência da
expressão, só mesmo um sem-noção e racista pra pensar um absurdo desse.
Ora, gente, até outro dia todo mundo usava essa expressão,
inclusive os pretos. Era considerada uma maneira criativa e inocente de dizer
que um preto era muito bom, só isso!
Mas quando isso mudou? Como? Por quê?
Acho que foi um processo parecido com aquele do rei nu. O
rei desfilava nu, todo mundo via, mas não acreditava. Até que alguém
descontaminado afirmou (olha aí a força da palavra!): “o rei está pelado!”
Pronto! Todo mundo entendeu que a expressão queria dizer que os pretos são
inferiores aos brancos por natureza e essa afirmação é inaceitável.
No tempo da minha avó uma mulher que dissesse “Um homem não
me define, Minha casa não me define”, era internada. No hospício ou no convento.
Pelo pai E pela mãe! Agora a Juliana canta isso e muito mais aos quatro ventos
e todo mundo concorda, além de achar bonito.
(quer dizer, tem uns 25% que não concorda não, a julgar
pelos resultados das pesquisas eleitorais).
Quando, como, por que mudou? se ontem mesmo a mulher era
inferior ao homem, todo mundo concordava, até minha avó, mais ainda do que meu
avô.
Mais uma vez, acho que alguém gritou no meio da multidão
que o rei estava nu e todo mundo viu. É realmente uma idiotice descomunal achar
que o gênero feminino é inferior ao masculino.
Tudo é uma questão de abrir o olho coletivo.
Hoje visitei a estátua do Borba Gato, na Av. Sto.Amaro,
aquela que tentaram destruir há alguns meses. A prefeitura, sabiamente, colocou
uma placa lá, explicando tudo, informando ao turista que há pessoas que não
aceitam aquela estátua, porque se consideram oprimidas pelo que ela representa.
Enfim, vai ficando cada vez mais claro que os bandeirantes não
merecem homenagem alguma e o que eles faziam não deve orgulhar ninguém.
De repente, um estalo que acorda, uma gota que
transborda...
Os pobres. Os miseráveis de hoje veem sua condição como os
pretos e as mulheres viam as suas no tempo da minha avó.
Quando e como se dará o estalo para essa desigualdade ser
considerada criminosa?
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