(Crônicas
de Guardanapo).
Era
um barzinho simpático, onde entrei pra comer qualquer coisa e não
dormir com fome, já que arroz com feijão não havia, à noite, em
Nova Independência, SP. Acho que nem nas casas, nos lares, havia
arroz com feijão naquela noite de sábado. Noto que muitas pessoas
têm preconceito contra arroz com feijão. Uns consideram comida de
pobre, outros consideram comida pobre. Tanto é verdade que “arroz
com feijão” virou sinônimo de coisa banal. Coisa banal deveria
ser pão com salsicha. Salgadinho em pacote com cocacoca. Pizza por
telefone. Pacote de bolacha. Balde de pipoca.
Na
mesa em minha frente sentaram quatro jovens. Pouco mais que
adolescentes. Logo percebi que eram de pouca conversa. Duas palavras
daqui, uma resposta monossilábica de lá, um sorriso amarelo da
esquerda, um olhar compreensivo da direita. Até que um deles acendeu
o smartphone. Presenciei todo o processo, desde a falta de assunto
inicial até o primeiro celular aceso. Restaram três, mas não
demorou para o segundo também acender seu aparelho. Restaram dois.
Continuaram tentando, duas palavras daqui, outra de lá, e olhares de
soslaio em direção às telas retangulares e brilhantes dos outros
dois. E, enfim, esses dois remanescentes acenderam suas próprias
telas retangulares quase ao mesmo tempo, tão logo perceberam a
pobreza do assunto ao vivo.
E
eu em frente, não sabia se ria ou se chorava. E comiam e bebiam e
chupavam e navegavam. E, de vez em quando, grunhiam, um para o outro.
E eu comia, e assuntava. Deixara meu celular no quarto alugado. Num
lance mental ousado, me incorporei a um dos quatro. Acabei de comer e
beber e chupar, limpei os beiços, apaguei o retângulo, olhei na
direção dos rostos dos outros três sem receber nada em troca, me
levantei e saí em silêncio, sem ser notado e sem fazer falta.
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