sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Meus 30 segundos de fama.



     Estou planejando um golpe para ficar famoso. É! Aparecer no jornal nacional. Trinta segundos. O país inteiro vai me ver, e vibrar comigo. Se divertir... Alguns vão sofrer. Poucos. Vou sair vivo da aventura, não se trata de suicídio. Aliás, suicídio não é notícia, sabiam? Código de ética de quem manda na notícia. Quanta coisa está faltando nesse código de ética!

     Não, não vou praticar nenhuma ação terrorista, não vou assassinar nenhum famoso, nem vou anunciar meu suicídio em um lugar bem alto e visível. Também não vou segurar uma cartolina na avenida paulista criticando o Lula e o PT. Sair por aí com uma melancia na cabeça só faria sucesso lá na minha terra, mas o que é sucesso lá ninguém fica sabendo.

     Não vou anunciar o fim-do-mundo, não vou realizar nenhum milagre, não vou comprar qualquer horário na TV para transmitir minha mensagem salvadora. Também não vou bater recorde de modalidade esportiva, sequer participarei da Olimpíada. Do futebol estou fora, já passei da idade. Não arranjei nem pretendo, qualquer emprego no rádio ou na TV.

     Tampouco serei figurante na novela, nem  esticarei o pescoço quando passar pela câmera que estiver filmando a São Silvestre. Também não fui contratado como garoto-propaganda das casas bahia. E desviarei das inúmeras filmagens que diuturnamente ocorrem aqui no centro da megalópole. Na loteria não jogo, portanto não me tornarei milionário instantâneo.

     Mas serei famoso. Até o final do ano que entra. Trinta segundos na maioria dos telejornais. Até a cor dos meus olhos será possível ver. No jornal nacional talvez eu apareça uns 15 segundos. Será apoteótico, estarei chorando. Implorando. De joelhos. Ao porteiro da escola aqui perto de casa. Me inscreverei no ENEM, e chegarei 2 segundos atrasado.  

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