Estou planejando um golpe para ficar
famoso. É! Aparecer no jornal nacional. Trinta segundos. O país inteiro vai me
ver, e vibrar comigo. Se divertir... Alguns vão sofrer. Poucos. Vou sair vivo
da aventura, não se trata de suicídio. Aliás, suicídio não é notícia, sabiam?
Código de ética de quem manda na notícia. Quanta coisa está faltando nesse
código de ética!
Não, não vou praticar nenhuma ação
terrorista, não vou assassinar nenhum famoso, nem vou anunciar meu suicídio em
um lugar bem alto e visível. Também não vou segurar uma cartolina na avenida
paulista criticando o Lula e o PT. Sair por aí com uma melancia na cabeça só
faria sucesso lá na minha terra, mas o que é sucesso lá ninguém fica sabendo.
Não vou anunciar o fim-do-mundo, não vou
realizar nenhum milagre, não vou comprar qualquer horário na TV para transmitir
minha mensagem salvadora. Também não vou bater recorde de modalidade esportiva,
sequer participarei da Olimpíada. Do futebol estou fora, já passei da idade.
Não arranjei nem pretendo, qualquer emprego no rádio ou na TV.
Tampouco serei figurante na novela,
nem esticarei o pescoço quando passar
pela câmera que estiver filmando a São Silvestre. Também não fui contratado
como garoto-propaganda das casas bahia. E desviarei das inúmeras filmagens que
diuturnamente ocorrem aqui no centro da megalópole. Na loteria não jogo, portanto
não me tornarei milionário instantâneo.
Mas serei famoso. Até o final do ano que
entra. Trinta segundos na maioria dos telejornais. Até a cor dos meus olhos
será possível ver. No jornal nacional talvez eu apareça uns 15 segundos. Será
apoteótico, estarei chorando. Implorando. De joelhos. Ao porteiro da escola
aqui perto de casa. Me inscreverei no ENEM, e chegarei 2 segundos atrasado.
Muito bom :-)
ResponderExcluirque bom.
Excluir